26.02.2019

Óleo essencial: muito mais que um cheiro

Óleo essencial

Recentemente, uma consumidora da Souvie fez um post sobre nosso desodorante. Ela descreveu o aroma do óleo essencial de capim limão como um “cheiro viciante”. Este é um assunto sobre o qual falamos constantemente aqui dentro da empresa. Afinal, o sabonete líquido com o mesmo aroma fica em nosso banheiro e é inevitável comentar a magia da fragrância, mesmo após anos trabalhando aqui.

Não é por acaso que esse desodorante – e toda a linha SER+ – possui um cheiro “viciante”. Por ser um produto certificado, fragrâncias sintéticas não são permitidas pela COSMOS (Cosmetic Organic and Natural Standard) certificado pela Ecocert. Para os produtos realmente orgânicos, poderia ser uma tremenda desvantagem competitiva. A indústria das fragrâncias sintéticas é virtualmente capaz de simular o aroma de qualquer coisa: de couro molhado a terra com cheiro de chuva. O grau de maturidade de produtos dessa indústria é fantástico e muitas indústrias se beneficiam desses maravilhosos produtos. Mas nós, que valorizamos e temos a certificação, não nos beneficiamos disso. Podemos apenas usar do que a natureza nos entrega: extratos de vegetais, e óleos essenciais das plantas.

Em nossa fazenda orgânica, temos uma área plantada de aromáticas totalmente certificada pelo IBD, seguindo regras da Comunidade Europeia. De lá, extraímos o óleo essencial orgânicos e hidrolatos. Sem ela, o custo para usarmos estas matérias-primas seria simplesmente proibitivo. Para ter uma ideia, nosso pessoal cuida de uma área plantada de 120 mil m² de camomila, que rende 800 kg de flores e nos entrega 1 litro de óleo essencial ao fim de um processo com vapor d’água. O capim limão passa pelo mesmo processo e nos entrega sua alma, sua essência, o seu óleo essencial delicioso, que usamos na composição do desodorante. É um processo caro e poderia ser uma tremenda desvantagem competitiva, mas veja que história maravilhosa ela entrega (além da alma da planta).

Resposta bioquímica ao óleo essencial

Sempre me perguntei porque temos neuro receptores programados para acoplar-se a moléculas opioides. Sim, sintetizamos morfina no orgasmo, iguais às do ópio, ou endocanabinóides (pra controlar o apetite) igual à cannabis, ou dimetil-triptamina (chamada hoje de molécula da realidade) igual ao do cipó mariri do chá de santo daime ou da jurema usada pelos índios kariri-xocó.

Em que ponto da evolução compartilhamos das mesmas moléculas naturais? Vale uma rápida explicação sobre o nosso cérebro. E peço desculpas por uma visão quiçá simplista demais, mas é lúdica. Temos “3 cérebros”, um primitivo, chamado reptiliano, responsável pelas funções mais básicas. Há controvérsias com relação ao nome, se os répteis tem ou não, mas acho que você entendeu o ponto. Cobrindo esse cérebro, tem o cérebro límbico (que eu particularmente chamo de mamífero), responsável pelas emoções. Este cérebro mamífero conta com uma poderosa fábrica química, o hipotálamo, responsável por sintetizar uma imensa quantidade de moléculas emocionais como as que eu citei acima. E, por cima desse cérebro, o neocórtex, humano, responsável por um monte de abstrações e coisas que só nos humanos sabemos (ou não).

Existe um único sistema conectado diretamente ao cérebro límbico/hipotálamo, e este é o olfato. Há uma troca de informações direta deste sistema de recepção e este cérebro emocional. A parte incrível dessa história toda é que quando sentimos o cheiro de um creme, desodorante, sabonete qualquer comprado no mercado, o cheiro é uma memória olfativa. Nosso cérebro vai no banco de dados e “lembra”: cheira a lavanda, cheira a erva-doce, cheira a infância, e pronto. É uma memória, e acabou-se a história.

Efeitos que só o óleo essencial proporciona

Entretanto, um óleo essencial é uma molécula ancestral, evolutiva, tem uma afinidade entre os seres vivos, porque partilhamos dessa síntese nos confins celulares de nossa história. O óleo essencial é uma biomacromolécula chave, e quando ele entra em contato com nosso sistema olfativo, ele abre um receptor fechadura, e desencadeia um mecanismo, um algoritmo natural, ele é o que desencadeia uma programação química em nosso corpo.

Por isso, nosso sabonete com 4% de óleo essencial de lavanda não é apenas um cheirinho gostoso. Ele é realmente relaxante. Por isso, o óleo de capim limão do desodorante não é “apenas” delicioso, ele inicia um algoritmo de alerta e outro de calma, ao mesmo tempo. Para mim, seu poder xamânico me anima, mas muitas pessoas saem do meu lavabo sorrindo depois de usar o sabonete líquido. Quando conectei todos esses pontos, fui estudar o livro “Aromacologia, a ciência por trás dos aromas naturais”, escrito pela Sonia Corazza, que por um maravilhoso destino, é minha guru e uma das formuladora  de tantos desses produtos incríveis da Souvie. E o óleo de capim limão é só a ponta do iceberg. Nem te conto sobre a dezena de bioativos fantásticos usados em todos os cremes, o que julgo serem o estado da arte em tecnologia de ponta biomimética. Achei que você gostaria de saber.

PS: Em tempo, não poderia deixar de citar: essa explicação toda nunca aconteceria se a Adriana Zelenkovas, que capitaneia o laboratório de pesquisa mais perfumado do mundo, o da Souvie, não tivesse me ajudado a entender como nossos produtos são feitos. Obrigado Dri pela faísca que gerou esse texto todo e por tratar de nossas fórmulas com tanto carinho.

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